Aldeia Boa Vista – 20 a 24 de abril de 2024
O Encontro Ainbu Daya 2024 reuniu mais de 230 participantes, sendo cerca de 140 mulheres Huni Kuin de dezenas de aldeias do Rio Jordão e do Alto Tarauacá. O evento, apoiado pela Living Gaia, fortaleceu a articulação das mestras, parteiras e lideranças femininas, aprofundando o trabalho iniciado no ano anterior com a criação da Associação Ainbu Daya.
Contexto Geral
As aldeias relataram grandes perdas causadas pela alagação de 2024.
A maioria sofreu danos no roçado, quedas de casas, perda de barcos, motores, utensílios e estruturas comunitárias. Apenas 4 ou 5 aldeias conseguiram preservar parcialmente suas plantações. Muitas seguem sem poço, luz, filtros ou kupixawa, e continuam reivindicando a criação de uma Casa da Mulher, com espaço de trabalho e ambiente adequado para as parteiras.
Atividades Realizadas
• Apresentação das delegações de cada aldeia e diagnóstico das necessidades locais.
• Oficina de valorização do artesanato, com definição coletiva dos preços mínimos para venda.
• Dia das parteiras, com troca de saberes tradicionais e reforço da demanda por reconhecimento e remuneração adequada.
• Aula sobre direitos das mulheres e história do Brasil, conduzida por Romina Lindëman.
• Palestra da Dra. Marcela Thiemi sobre o ciclo de vida da mulher.
• Apresentação de projetos em andamento: Simon/Tarayá (Living Gaia), Igapó, Lei Rouanet (200 mil e 800 mil), e início de testes para o projeto de tecelagem com Dulce.
• Distribuição de doações (vasos, terçados e itens básicos) às mestras atingidas pela alagação.
• Cerimônia feminina, que encerrou o encontro com força espiritual e união.
• Registro audiovisual contínuo para o documentário sobre lideranças femininas Huni Kuin.
Aldeias Participantes
Participaram aldeias do Rio Jordão e do Alto Tarauacá, totalizando mais de 40 comunidades, como Novo Lugar, Boa Esperança, Jiboia Viva, Novo Natal, Canafista, Coração da Floresta, Altamira, Arco-Íris, Mae Bena, Flor da Mata, entre outras.
Cada aldeia apresentou sua situação atual, com destaque para:
• perdas de roçados e casas,
• falta de poços e filtros,
• sistemas de energia danificados,
• necessidade urgente de kupixawas,
• reforço da demanda pela Casa da Mulher.