Encontro anual Ainbu Daya – 2023

O Encontro de Mulheres Huni Kuin da Associação Ainbu Daya reuniu representantes de diversas aldeias do território do Jordão, fortalecendo a articulação feminina, a troca de saberes tradicionais e a construção coletiva de demandas prioritárias para suas comunidades.

O início foi marcado por timidez e muitos pedidos individuais, mas ao longo dos dias se criou um ambiente de confiança, resultando em diálogos profundos, posicionamentos firmes e decisões coletivas importantes.

Principais pautas e decisões

  • Valorização do trabalho feminino: As mulheres denunciaram a desvalorização da arte produzida por elas quando vendida por homens que viajam e não repassam o pagamento justo. Houve um posicionamento forte para que, a partir de agora, haja troca justa de trabalho e reconhecimento real das artesãs.
  • Reconhecimento profissional:
    Em assembleia com mais de 100 mulheres, foi discutida, votada e aprovada a solicitação para que mestras artesãs sejam reconhecidas como professoras e que parteiras sejam reconhecidas como agentes de saúde, com remuneração correspondente. Após a votação, todas assinaram a carta oficial.
  • Saúde da mulher:
    Com a chegada da Dra. Marcela, foi possível aprofundar temas importantes relacionados à saúde feminina, incluindo dores recorrentes causadas por esforços cotidianos — como carregar água na cabeça e usar lanterna no ombro para tecer à noite. Houve orientações sobre prevenção e autocuidado, além da construção de estratégias para apoio contínuo às mulheres nas aldeias.

Mapeamento das aldeias e principais necessidades

Durante o encontro, as mulheres realizaram um mapeamento detalhado das condições de cada aldeia, registrando demandas urgentes relacionadas a:

  • Acesso à água potável (poços, canos, filtros)
  • Energia solar (inversores queimados, baterias, ausência total de luz)
  • Casas de arte/parteira e espaços culturais
  • Internet e comunicação
  • Estruturas de apoio comunitário: refeitórios, shubuãs, hospedarias
  • Equipamentos de trabalho (material de artesanato, ferramentas, câmeras, teares)
  • Transporte (barcos e motores)
  • Acudes, roçados e segurança alimentar

O levantamento contempla 23 aldeias, incluindo Novo Natal, Boa Vista, Chico Curumim, Nova Fortaleza, Novo Segredo, 3 Fazendas, Sacado, Bela Vista, Jiboia Viva, Boa Esperança, Astro Luminoso, Arco Íris, Nii Yushibu, Nova União, Nova Aliança, Novo Coração, Nova Cachoeira, Flor da Mata, Tunku Nixi, Nova Empresa, Verde Floresta e Morada Nova — cada uma com suas necessidades específicas documentadas.

Conclusão

O encontro representou um marco para a Ainbu Daya, fortalecendo o protagonismo das mulheres Huni Kuin na defesa de seus direitos, na preservação de seus saberes e na construção de melhores condições de vida nas aldeias. A partir das decisões tomadas coletivamente, a associação segue comprometida em buscar soluções, parcerias e políticas públicas que atendam às demandas apresentadas.